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quarta-feira, 1 de junho de 2011

O ROCK AMAZÔNICO DA BANDA ILHARGA

Definir o som da banda ilharga é o mesmo que tentar definir o conceito sobre o bem e o mal, até por que poucas bandas locais conseguiram manter um público fiel desde as primeiras formações e mudanças de nome, e a ilharga conseguiu manter seus seguidores por que suas músicas são maiores do que tudo isso.

A poesia oculta nas letras do vocalista Lúcio reflete uma juventude ligada ao misticismo desconhecido e abrangente de uma época em que o sobrenatural dominava a mente dos jovens, onde as curiosidades pelas viagens alucinógenas eram uma forma de autoconhecimento,  algo de importância astral, sentimental e pessoal, não apenas mais uma forma de ficar lombrado e sentir larica.

A banda Ilharga tem um papel fundamental no cenário rock n roll local, justamente por explorar outras formas de composições de estilo bem peculiar, onde você acaba viajando junto com as letras amarradas pela harmonia marcante, mesmo tendo o peso da guitarra e a porrada do baixo ritmado pela potência da bateria que explora ao máximo os contratempos musicais que só tornam o som mais interessante e misterioso.

Vou contar aqui uma breve história que aconteceu há alguns anos atrás. Recebi a demo da ilharga das mãos do meu amigo e vocalista Lúcio, lá no festival da vovó Maroca, ele tava muito doido e queria me vender a demo por... 1 real! Só para inteirar o corote dele, eu não tinha nenhum trocado na hora, e então ele falou assim “não esquenta meu irmão o cd é seu, só quero que você ouça!” e no outro dia eu estava em casa ouvindo a demo no volume máximo junto com alguns amigos que piraram ao ouvir marcos doido, corote-cola, sístole, o desfrutador, apastolada e as outras, e o incrível e minha esposa é testemunha, era a minha filha que na época tinha dois anos e só dormia ouvindo a demo da ilharga e o cd dos Mutantes, era o tempo de tocar os dois e ela dormir.

Músicas como Marcos doido e corote-cola são verdadeiros hinos no cenário underground, e em rodas de viola, quem nunca cantou “corote, cola, broca na lixeira...” e essa banda que mistura letras de protesto com pitadas de misticismo em doses de humor ácido agora vêm com a MENINA DA BALSA onde narram a viajem mais legal que se pode fazer no nosso estado, ou seja, pegar a balsa e atravessar pro outro lado do rio break on through to the other side! Essa é a viagem perfeita para buscar inspiração e outras coisas... quem o diga Jim Morrisom.

Vejo na banda Ilharga o antigo e o velho, o presente e o futuro criados pelo passado e explorados ao máximo com letras e poesias sarcásticas e inteligentes, enquadrando-se em qualquer gênero que cultue o bom e velho rock n roll! Difícil acreditar como esse tipo de som não tem espaço na mídia local é só isso que eu não entendo, a nível nacional é normal já que o pessoal de fora só curte o que lhes pertencem e acham que música da Amazônia se resume apenas em carimbó e boi-bumba, por isso fico puto com as rádios locais que não abrem espaço para as bandas da nossa terra, como a banda Ilharga que é puro rock amazônico e puro rock n roll.

Quem nunca conheceu um Marcos doido, uma APASTOLADA demoníaca, ou mesmo curtiu com alguma MENINA DA BALSA e ficou no COROTE-COLA se achando O DESFRUTADOR?

O nosso rock é diferenciado por que somos inspirados pelos espíritos da floresta que nos cercam na cidade e nos mantêm presos sobre seus esqueletos que pisamos sem saber, temos na Amazônia uma fonte de inspiração inesgotável e sem precisar bater tambor, basta ligar o cabo da guitarra numa caixa acústica e pronto! Nosso rock n roll nasce... Caboclo e pesado assim como a banda ilharga.

Se você estiver a fim de ouvir essa banda é só entrar em contato e contratá-los tanto para tocar quanto para tomar um corote.


Viva ao rock amazônico da banda ilharga!








2 comentários:

  1. Essa toca com o coração. Sinto muita verdade no som desses caras!Muito bom o texto...

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    1. obrigadão pelo comentário, e realmente essa banda toca com o coração sem dúvidas!

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