Rádio Manifesto Norte - O espaço da musica independente.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O ROCK UNDERGROUND DA DEXTER CHAPADO


A banda mais anti-convencional do movimento underground com toda certeza foi a Dexter Chapado. Nenhuma banda foi tão taxada e criticada pelos idiotas amantes de couver, baladinhas e músicas de amor caretas, que ao verem a Dexter Chapado subir no palco, já sabiam que dali em diante só iria rolar o mais puro e puto rock n’ roll de maluco! E que o espaço dos caretas e conservadores estaria destruído.
Com letras agressivas e ao mesmo tempo poéticas, a Dexter Chapado inovou no estilo ao fazer um rock pesado e divertido ao mesmo tempo, narrando o cotidiano social na visão cruel e seca de uma banda presente nos ambientes mais inóspitos da cidade, que desde sempre começou anarquizando ao organizar e promover seus próprios eventos.
A primeira vez que ouvi e vi a Dexter Chapado foi no programa local “FALA AÍ!” Eles tocaram músicas para uma platéia de estudantes do ensino médio eu acho que pareciam figurantes de alguma peça teatral, e o vocalista Tiago cantava e pulava  o tempo topo no meio da platéia pirando junto com o  guitarrista Euclides que não parava de balançar sua  cabeleira para uma platéia que ficava batendo palminhas sem entenderem nada, eu pirei ao ver o estilo da banda tipo que mostrando para aquela molecada inexpressiva  “ ISSO SE CHAMA ROCK N’ ROLL!”
O melhor de tudo era na parte de entrevistas, pois o assunto em pauta era “sobre ser uma patricinha”, e tinha umas duas moças lindas lá que se diziam patricinhas assumidas e tal, e elas falavam coisas tão fúteis que quando a câmera mostrava a banda, eles faziam questão de demonstrar desinteresse total pelo assunto, pois queriam mesmo era fazer um som ao vivo, e em seguida sem perda tempo tocaram a música velho barrigudo careca!
Uma semana após isso, tive o prazer de conhecer a banda pessoalmente em um estúdio, conversei alguns minutos com o vocalista Tiago, e horas depois estávamos em minha casa bebendo cerveja e falando sobre música, logo depois começamos a organizar nossos próprios eventos de rock n’ roll pela cidade, foi a revolução total do underground nessa época, tanto que até no antigo Antares Clube, famosa casa de brega e forró da época, foi realizado um festival totalmente underground, isso graças as bandas daquela época que não fugiam de seus ideais, e não se importavam com os gritos do público alienado que vão para shows undergrounds querendo ouvir as mesmas músicas que ouvem todos os dias nos seus CDs e DVDs, porra é foda!
As músicas da Dexter Chapado são tão incríveis que vão literalmente do protesto poético ao anarquismo total como na música EU VOU MATAR O BUSH hardcore total, e nos diverte com a estrofe da música KARLINHA“lá vem teu pai, lá vem teu pai, baixa a saia Karlinha, lá vem teu pai lá vem teu pai disfarça, disfarça!” esse trecho ao vivo é cômico e contagiante, diferente da música CAMUFLANDO O TERROR, que literalmente toca o terror e a tensão vai além, há também uma música muito interessante que talvez seja a que defina melhor a banda, que se chama ZÉ BLACK DO BACK. Mas a minha música preferida da banda sem dúvidas é a  VIDA DEPRESSA DEMAIS, não há melhor música pra se ouvir ao vivo bebendo uma cerveja em um show de rock!
Os poucos que conseguiram um CD demo da banda são sortudos como é o meu caso, mas quem não teve essa sorte pode ouvir algumas músicas da banda no www.palcomp3/dexterchapado ou entrar no www.palcomp3/tiagooliveiraeoswarlockneedles e se divertir com uma das melhores bandas do cenário underground da cidade, mas antes de ouvir as músicas, não se esqueça de comprar uma caixa de cerveja ou uma garrafa de vinho, pois o que não nos mata é  o que nos fortalece!




sexta-feira, 29 de julho de 2011

O ROCK ESSENCIAL DA BANDA ESSENCE


A banda ESSENCE é o maior exemplo de que o rock amazonense tem sim espaço na cidade, competindo e sendo valorizado pelo público local, sempre tocando suas músicas próprias que são cantadas em coro pelos fãs e até mesmo por aqueles que desconhecem a banda.

A primeira vez que ouvi uma música da ESSENCE na rádio, eu juro que eu fiquei muito feliz, até por que eu já tinha o cd da banda e conhecia a música, “garota complicada” eu estava indo pro trabalho e a música tocou na rádio, ali naquele momento eu achei sinceramente que esse seria o primeiro passo para os trabalhos das bandas locais serem finalmente reconhecidos... Pena eu estar errado, assim como muitos outros também se enganaram.

No mesmo dia que ouvi a música no rádio, liguei para minha esposa que na época ainda era minha namorada e pedi pra ela deixar passar meia hora e depois tentasse ligar pra rádio dizendo que ouviu uma música chamada “garota complicada” e gostaria de pedi-la, então ela fez tudo certo como o combinado, nossa intenção era divulgar ainda mais a música, pena que quando conseguiu falar e pedir a música ouviu a seguinte resposta da atendente da rádio.

- parem de ficar ligando pra cá, sabemos que você é  amiga ou faz parte da banda, peça outra música ou então não ligue mais!

 Minha esposa ficou toda errada, e quando me contou isso tudo eu saquei o que acontecia de verdade nesse maldito mercado de rádios e gravadoras, aconteceu comigo também quando liguei pedindo amanhecer dirigindo; Luciana e outras músicas de bandas da terra, não se espantem com essas bandinhas que tocam na rádio todos os dias, são na grande maioria favorecidas ou então pagam o famoso “jabá” para terem suas lindas cançõezinhas choradas tocadas.

Fora esses boicotes das rádios e gravadoras, ainda existem um bando de adolescentes e roqueiros alienados que não respeitam o trabalho de bandas como a ESSENCE pelo fato de tocarem músicas um pouco mais comerciais, e esses mesmos alienados adoram ouvir legião urbana, capital inicial e outras bandas do mesmo gênero, então por que esse desrespeito?

Muitos não sabem, mas o rock também é uma forma de alienação, pois o verdadeiro amante do rock ouve tudo o que deriva do rock, respeita as bandas que abriram as portas, que criaram e que morreram pelo rock, esses sim entendem o significado do rock, mas quando a pessoa se torna alienada, elas entram para essas ditas tribos urbanas e acabam usando rédeas sem perceberem, achando-se cheias de atitude.

O rock da banda ESSENCE é importante  para nossa cultura, a banda em si merece todo o respeito do público rocker da cidade, pois quem não viaja ouvindo RAINY DAY ou então me digam que garota apaixonada não se torna uma GAROTA COMPLICADA, existe a mais pura verdade no trecho do verso “já faz um tempo e ninguém mais falou de amor...” da música DIAS DE GUERRA. Eu respeito pra caramba as composições da banda ESSENCE, e não vejo diferença nenhuma para as bandas do eixo Rio-São Paulo, a não ser nas oportunidades recebidas e pelo reconhecimento local que aqui ainda é pouco valorizado nas noites da cidade, onde o forró comanda as casas noturnas e  a grande maioria dos bares de rock dão prioridade às bandas que vivem tocando couver de outras bandas, o que eu acho perda de tempo, ainda mais quando essas mesmas bandas fazem shows para comemorarem anos de estrada tocando música dos outros, eu não teria nenhum motivo para comemorar isso, ao contrário de bandas como a ESSENCE que até hoje lutam contra esse impropério anti-comercial que ainda enche a mente dos empresários da noite.

É como se a mídia local insistisse em querer mostrar nossa cultura somente como boi-bumbá, índios e encontro das águas; depois quando acontece algum novo episódio como no caso do baterista semi-analfabeto daquela bandinha RESTARDADOS o povo fica revoltado e indignado.

A banda ESSENCE já representou o nosso estado nos maiores festivais de música do país, isso é motivo de orgulho para todos nós, verdadeiros amantes do Rock  n’ Roll local.
A banda acabou de lançar seu mais novo DVD, foram batalhas e lutas infinitas para finalmente acontecer  seu lançamento, e novamente com um grande show aberto ao público. A guerra mais um vez foi vencida, desejo a banda ESSENCE todo o sucesso de público e critica nessa nova jornada, e que continuem fazendo suas músicas entrarem em nossas mentes  para que o Brasil conheça o essencial do rock manaura que nunca desiste, pois a ESSENCE permanece!










  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

AMY WINEHOUSE MORRE E ENTRA PARA O HALL DOS 27

Agora o que mais se lê e ouve-se falar é da vida sedentária que a Amy Winehouse levava, completamente desregrada e movida a muito álcool e drogas pesadas, então as pessoas  ficam se perguntado “ por que ela vivia desse jeito meu Deus?” outros ficam lhe criticando e julgando seu comportamento com comentários sem contexto  e de falsa moral.

Quero dizer que a Amy e todos os outros astros do rock mortos aos 27 anos nunca fizeram parte desse mundo! 


Existem pessoas que usam a música como trabalho para viverem bem pelo resto da vida, para serem idolatrados e milionários, passando anos rimando amor com dor; prazer com você; dançar com cantar e outras rimas de músicas sem graça,  de cunho apelativo e enjoativo que só fazem sucesso ou ficam marcadas naquele momento, pois será impossível ouvir a mesma música depois de um ou dois anos, já o  pessoal dos 27 não viam a música dessa forma, eles sentiam a arte fazer parte da vida, sem se importar com o sucesso ou a critica, para eles o que importava era a imortalidade de sua arte, por isso suas obras são tocadas e passadas de geração em geração por todo o mundo, saem dessa vida de maneira meteórica para viverem na eternidade da arte.

Muitas pessoas dizem “o dinheiro não traz felicidade!” Mas usam esse ditado apenas da boca para fora, pois geralmente passam o resto da vida jogando na mega sena para  tentarem se tornar milionários. A vida desregrada de Amy Winehouse é a verdadeira prova desse ditado em todos os sentidos, pois prova que o dinheiro compra sim alegrias de momento, mas realmente não compra a felicidade por completo, ainda mais quando você vive com intensidade todos os seus momentos como se fossem os últimos, quem pretende ter uma vida longa não se importa com nada disso,  já que para essas pessoas o que importa é viver e se estabilizar na sociedade, morrendo velho sem ter feito história, e nunca ser lembrado.

Como disse antes, os 27 não vieram ao mundo para morrerem velhos ou serem exemplos de comportamento, pelo contrário eles vieram para darem em vida a sua própria vida pela arte, e deixando sua arte para toda a vida das pessoas. O mal das pessoas é sempre em querer idolatrar os seus artistas, o que eu acho errado demais, pois creio que devemos idolatrar a sua arte cantando suas músicas e não contando suas vidas,  muitos não estavam prontos para a fama, e mesmo sonhando com os holofotes da mídia não imaginavam que seriam iluminados de verdade, os vícios existem e devoram o corpo antes mesmo de tentarmos resgatar nossa alma, a Amy com toda a certeza tentou se livrar dos seus demônios, mas muitas vezes nossos demônios são mais fortes que nossos santos, e sem a devida ajuda fica difícil se libertar, fora todo esse papo de que foram feitos pactos com o diabo em encruzilhadas, vendas de almas etc. os 27 são os levitas do mundo, foram e serão para sempre lembrados pelos amantes da arte e odiados pelos conservadores de plantão que adoram condenar e julgar o comportamento individual do ser humano.

Espero que agora a Amy Winehouse esteja em paz cuidando das feridas da alma, sua vida não foi em vão, Ela entregou-a ao mundo e deixou sua mensagem para as novas gerações, o seu recado foi dado com a própria vida, as drogas destroem por completo e os vícios nos perseguem , cabe a cada um de nós lutarmos e nos protegermos  antes mesmo de começar a experimentar os ditos prazeres que o mundo oferece, que em excesso levam a destruição por completo sem piedade e de forma bastante dolorosa.

Para finalizar gostaria de deixar meus pêsames a todos os fãs da cantora Amy Winehouse, que continuem a  ouvir suas músicas e guardem dela somente a arte, que não levem como exemplo as críticas maldosas e preconceituosas feitas por pessoas que talvez nem consumam qualquer outro tipo de drogas, mas que fazem desse mundo a maior droga de todas, ou seja, a falta de amor.





sábado, 18 de junho de 2011

O ROCK N' ROLL ENVENENADO DA BANDA CREPÚSCULO



SEXO DROGAS E ROCK N' ROLL!

Esse era o grito dos roqueiros dos anos 60, 70 e meados dos anos 80 quando o rock não era apenas mais um novo estilo de música que surgia, e sim um estilo de vida desregrado que batia de frente com todo um sistema autoritário desleal e enraizado de preconceitos e leis estúpidas. E o rock surgia justamente para tentar abrir os olhos da própria sociedade dita conservadora que tanto impregnavam e ditavam os conceitos familiares dessa época.

Após anos de protestos, mortes por overdoses e suicídios, o bom e velho rock resolveu dar um tempo, já que não quis se vender ao mercado da mídia que tanto influencia a cabeça dos jovens dos tempos atuais, inventores de novos conceitos e babaquices  que julgam ser parte do rock (que pecado!)  e agora inventaram um novo grito para sua geração;

FAMÍLIA COLORIDA, PARTINHA E LOVE N' ROLL!

Mas em meio a toda essa mudança de comportamento e babaquices juvenis, uma banda surge em meio a bebidas, sexo e drogas nos bares do centro da cidade e das zonas mais inóspitas, para enfim salvar e manter viva a história do pai de todas as pirações, e essa banda chama-se CREPÚSCULO!

Com toda a certeza a CREPÚSCULO é a banda mais rock n’ roll da cidade, não apenas pelo som da banda, mas muito mesmo pelos seus membros, completos seres desregrados e amantes da boemia, freqüentadores assíduos dos velhos templos antigos da cidade, onde o último bar é a última chance, e o gole da bebida é o motivo da vida inteira, já que o rock é muito maior que a morte.

O som da CREPÚSCULO é a tradicional mistura de blues e rock n´roll, onde deixam bem claro as influências de bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath, Jimi Hendrix, Cazuza, Raul Seixas, Creedence, Robert Johnson, Eric Clapton e ainda fazem algumas músicas com uma levada mais punk rock dos anos 70 com letras de protesto e de âmbitos sociais.

Quando você forma uma banda onde o baterista é o Gustavo sempre em sua moto procurando os bares abertos da cidade, nos solos de guitarra tem o grande Cazuza sempre procurando inspiração em alguma coisa, acompanhado pela guitarra base do João e sua inseparável latinha de cerveja na mão,e no baixo você coloca a lenda Klinger e deixa nos vocais o andante dos bares do centro, Branco...

O RESULTADO É O MAIS PURO ROCK N’ ROLL!

A banda já tem dois discos gravados, um em estúdio e outro gravado ao vivo no festival da vovó Maroca, de longe o melhor festival de rock alternativo da cidade de Manaus.

Músicas como O GOLE DA BEBIDA retratam de maneira cômica e verdadeira a situação dos músicos de rock da cidade, sem muitas alternativas para tocarem, sem grandes cachês, sem a tão sonhada valorização de sua arte no meio da sociedade, seguidos apenas pelos fies fãs de estrada que acompanham a banda desde o final dos anos 90, vemos também na música CÂNCER URBANO o relato em forma de protesto sobre o descaso das autoridades com a segurança, o índice da criminalidade e da prostituição, mas que em ano de eleição são sempre temas de promessa dos carniceiros políticos de plantão, e no meio de todo esse caos relatado pela banda, temos também a música FUGA que dá um verdadeiro chute na vida urbana em que vivemos, a música fala sobre deixar todo esse tumulto por um instante, pegar a estrada de mochila nas costas com uma garrafa de água ardente, e viver a vida de verdade junto à natureza sem se importar com o mundo que nos cerca cheio de problemas de desemprego, fome, guerras, racismo, doenças que se dane! Essa é a verdadeira liberdade, ou como diria o grande compositor Zé Geraldo “o homem que não tem vício é um fraco!”

Então vamos curtir a vida e o bom rock da cidade de Manaus que ainda é tocado pela velha guarda, por bandas que assim como a CREPÚSCULO não esperam pelo estado e seguem a risca a velha frase radical punk;

- FAÇA VOCÊ MESMO!

Por isso a CREPÚSCULO continua viva até hoje, tocando em eventos e fazendo seus próprios eventos em todas as zonas da cidade, compre  o Cd da banda com os próprios músicos ou ligando para o Gustavo (092) 8217-4578, E-MAIL GUSTAVO.A.SA@GMAIL.COM você pode ouvir também no site vagalume de músicas, e na comunidade da banda no orkut onde sempre postam videos, é isso aí rocker’s vamos surfar no banzeiro com a banda CREPÚSCULO, afinal Rock de cabocão é assim...ENVENENADO!


quarta-feira, 8 de junho de 2011

O ROCK CABOCLO DA BANDA OS TUCUMANUS

Quando se fala em som amazônico, temos logo em mente o boi-bumbá, o carimbó e agora o forró, ritmos culturalmente de grande importância para a musicalidade da região norte, já que além de tudo, esses ritmos sempre tiveram espaço na mídia e público fiel nas casas de shows da cidade.

Talvez esse ciclo agora tenha uma nova jornada, pois tenho certeza que daqui a alguns anos essa mesma safra musical será dividida em dois períodos, ou seja, antes e depois dos TUCUMANUS. Vai ser muito difícil explicar a musicalidade regional sem citar essa banda de rock amazônico que mistura algo do tipo mutantes levado para a bossa nova, com uma pitada de secos e molhados, samba rock com a sonoridade dos raízes caboclas, letras bem típicas dos temas atuais e regionais escritos em perfeita harmonia poética de extrema sensibilidade.

Vemos um novo movimento regional surgindo às margens de todo o sistema fonográfico que não se cansa de promover e procurar pelas famosas bandas de partinhas, ou novas beldades com vozes afinadas enquanto não se descobre algo diferente, assim como no movimento manguebeat de Chico Science, mundo livre S.A e tantas outras bandas do nordeste, eu acredito que o movimento do momento seja essa mistura que os Tucumanus fazem de maneira bem peculiar e extraordinária, que aos poucos vai ganhando espaço na cidade.

Nunca ouvi uma música que fale do incesto de maneira tão verdadeira e cômica como O BOTO, fazendo uma mistura que envolve lendas regionais com as estatísticas no aumento da violência doméstica acobertadas pela ignorância daqueles que não tiveram oportunidades e continuam presas aos mitos, PALAFITAS é outra música que faz qualquer um se levantar e sair dançando no meio do salão, sem tirar em nenhum momento a letra da mente “quem quer comprar palafitas de frente pro rio, nos períodos das chuvas de abril...” quem não ri ao ouvir ou mesmo se imaginar chegar ao self-service e pedir ACARIBODÓ isso é totalmente hilário, e na parte de declamo ainda passam a receita do pirão, nossa! É de uma criatividade espantosa em perfeita sincronia.

Fora o sarcasmo da banda, vemos em músicas como O JARDIM a verdadeira poesia marginal intelectual da banda anexada à completa mistura de influências que distanciam e aproximam ao mesmo tempo, “chegou cansado, nem teve a lembrança de olhar o seu jardim...” retratando a solidão do homem moderno endividado em pensamentos e desejos inalcançáveis, frustrado pelo amor não correspondido, tendo no desejo de vingança o último suspiro de vida, esse é o drama de quem vive numa capital cercado por todos os lados, mesmo achando que é livre.

A banda Tucumanus sem dúvida é a melhor descoberta do cenário regional na atualidade, já que as repetições de estilo causam tédio demais, difícil você encontrar algo novo que te surpreenda, como aconteceu há muitos anos atrás quando descobri espantalho, platinados, chá de flores, olhos imaculados e outras bandas. Depois desses pioneiros do rock regional achava que não surgiria mais nada de interessante, a não ser esses moleques de moicano que ficam berrando, ou agora aqueles moleques de partinha que cantam chorando, e derrepente surge os Tucumanus com seu rock caboclo de peso harmônico que através de suas letras e músicas conseguem transformar algo utópico em esperança para o nosso cenário tão escondido e desprezado pela grande massa da cidade, que ainda não sabem dar crédito aos valores da terra, mas que têm coragem de pagar até 500 reais para um show de meia hora de outros artistas que ainda vão embora falando injúrias da cidade.

A distância não deve jamais ser tida como um limite, principalmente quando se trata dos nossos sonhos! Esse exemplo de criatividade ou loucura como muitos podem chamar, é a prova real de que nossas idéias ainda movimentam o mundo, com o som dos tucumanus é a mesma coisa, ou como diria Bob Marley “a música quando bate você nunca sente dor!”

Se você deseja fazer uma verdadeira viajem pela nossa cultura, pode baixar as músicas da banda ou o disco todo no 4shared, OS TUCUMANUS REGIONAL EXPERIMENTAL, eu tenho certeza que será uma viajem divertida em todos os sentidos que você possa imaginar, mesmo estando você sentado no sofá tomando uma gelada, ou principalmente num show ao vivo para você pular e dançar ouvindo o melhor do som regional, OS TUCUMANUS.


quarta-feira, 1 de junho de 2011

O ROCK AMAZÔNICO DA BANDA ILHARGA

Definir o som da banda ilharga é o mesmo que tentar definir o conceito sobre o bem e o mal, até por que poucas bandas locais conseguiram manter um público fiel desde as primeiras formações e mudanças de nome, e a ilharga conseguiu manter seus seguidores por que suas músicas são maiores do que tudo isso.

A poesia oculta nas letras do vocalista Lúcio reflete uma juventude ligada ao misticismo desconhecido e abrangente de uma época em que o sobrenatural dominava a mente dos jovens, onde as curiosidades pelas viagens alucinógenas eram uma forma de autoconhecimento,  algo de importância astral, sentimental e pessoal, não apenas mais uma forma de ficar lombrado e sentir larica.

A banda Ilharga tem um papel fundamental no cenário rock n roll local, justamente por explorar outras formas de composições de estilo bem peculiar, onde você acaba viajando junto com as letras amarradas pela harmonia marcante, mesmo tendo o peso da guitarra e a porrada do baixo ritmado pela potência da bateria que explora ao máximo os contratempos musicais que só tornam o som mais interessante e misterioso.

Vou contar aqui uma breve história que aconteceu há alguns anos atrás. Recebi a demo da ilharga das mãos do meu amigo e vocalista Lúcio, lá no festival da vovó Maroca, ele tava muito doido e queria me vender a demo por... 1 real! Só para inteirar o corote dele, eu não tinha nenhum trocado na hora, e então ele falou assim “não esquenta meu irmão o cd é seu, só quero que você ouça!” e no outro dia eu estava em casa ouvindo a demo no volume máximo junto com alguns amigos que piraram ao ouvir marcos doido, corote-cola, sístole, o desfrutador, apastolada e as outras, e o incrível e minha esposa é testemunha, era a minha filha que na época tinha dois anos e só dormia ouvindo a demo da ilharga e o cd dos Mutantes, era o tempo de tocar os dois e ela dormir.

Músicas como Marcos doido e corote-cola são verdadeiros hinos no cenário underground, e em rodas de viola, quem nunca cantou “corote, cola, broca na lixeira...” e essa banda que mistura letras de protesto com pitadas de misticismo em doses de humor ácido agora vêm com a MENINA DA BALSA onde narram a viajem mais legal que se pode fazer no nosso estado, ou seja, pegar a balsa e atravessar pro outro lado do rio break on through to the other side! Essa é a viagem perfeita para buscar inspiração e outras coisas... quem o diga Jim Morrisom.

Vejo na banda Ilharga o antigo e o velho, o presente e o futuro criados pelo passado e explorados ao máximo com letras e poesias sarcásticas e inteligentes, enquadrando-se em qualquer gênero que cultue o bom e velho rock n roll! Difícil acreditar como esse tipo de som não tem espaço na mídia local é só isso que eu não entendo, a nível nacional é normal já que o pessoal de fora só curte o que lhes pertencem e acham que música da Amazônia se resume apenas em carimbó e boi-bumba, por isso fico puto com as rádios locais que não abrem espaço para as bandas da nossa terra, como a banda Ilharga que é puro rock amazônico e puro rock n roll.

Quem nunca conheceu um Marcos doido, uma APASTOLADA demoníaca, ou mesmo curtiu com alguma MENINA DA BALSA e ficou no COROTE-COLA se achando O DESFRUTADOR?

O nosso rock é diferenciado por que somos inspirados pelos espíritos da floresta que nos cercam na cidade e nos mantêm presos sobre seus esqueletos que pisamos sem saber, temos na Amazônia uma fonte de inspiração inesgotável e sem precisar bater tambor, basta ligar o cabo da guitarra numa caixa acústica e pronto! Nosso rock n roll nasce... Caboclo e pesado assim como a banda ilharga.

Se você estiver a fim de ouvir essa banda é só entrar em contato e contratá-los tanto para tocar quanto para tomar um corote.


Viva ao rock amazônico da banda ilharga!








terça-feira, 31 de maio de 2011

O SOM DA BANDA METAFÓRICA


A PRIMEIRA vez que ouvi a banda metafórica foi num ensaio que eles faziam para tocar no primeiro VILA MARINHO ROCK FESTRIBAL, na época a banda era formada por Willeson na guitarra, Márcio Foster no baixo, Jorge na bateria e tinha nos vocais o Leandro e o Roger Morello (hoje ambos na banda poema de Ravel).

ATÉ ENTÃO achava que eles estavam fazendo só mais um ensaio normal, tirando as músicas de outras bandas, principalmente das bandas locais, pois a proposta da Metafórica sempre fora essa, ou seja, tocar as músicas locais de bandas como chá de flores, zona tribal e espantalho, que tiveram bastante influência na banda e principalmente no vocalista da época Roger Morello, que levantava a bandeira do rock Amazonense.

CARA! Mas quando eu vi os garotos tocarem suas primeiras músicas próprias, confesso que fiquei emocionado pra caralho! Vendo ali aquela nova geração surgindo e compondo ótimas músicas me fez acreditar ainda mais no futuro do rock local, tocamos juntos pela primeira vez nesse festival da Vila Marinho e foi o primeiro de muitos shows que se seguiram até outros projetos aparecerem e novos problemas surgirem como é normal sempre em qualquer meio.

A BANDA Metafórica deu um tempo bem longo, testou outros membros, novos vocalistas e até mesmo outros sons, e agora finalmente parece que acharam a formação ideal, até o vocalista mais doido que eu conheço tocou com eles num programa de televisão, esse cara é o Branco da banda Crepúsculo, que ensaiou e bebeu um bom tempo com a banda.

MÚSICAS como Juliana e Arquivo Morto mostram um som pesado com uma harmonia que soa bem aos ouvidos, isso sem perder o peso do rock, ao contrário de muitas outras bandas que ficam fazendo músicas de amor, com um som pesado e que destrói por completo o ROCK e fica chato pra caralho! Isso não acontece com o som da banda Metafórica, já que seu letrista o guitarrista Willeson é muito sensível em captar as emoções que cercam sua trajetória e a dos seus amigos, um compositor com uma visão forte sobre o comportamento juvenil da sociedade, inspirado em nomes como Renato Russo e Cazuza, inclusive até mesmo o baixista Marcio Foster também começou a compor suas primeiras canções que se encaixam perfeitamente ao estilo da banda, que mesmo com a entrada de novos componentes, sempre manteve sua base original o que influencia diretamente no ambiente da banda.

ENFIM para quem deseja conhecer melhor a banda, é só procurar a comunidade Metafórica no Orkut e acessar os endereços da banda nas outras redes sociais, mas eu recomendo mesmo é assistir ao vivo a um show de rock pesado com letras marcantes e músicos competentes que juntos e ainda jovens sonhavam em ter uma banda, e hoje esse sonho se tornou em realidade e transformou a realidade numa grande Metafórica!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

SEM MEMÓRIA

SEM MEMÓRIA
Hoje fazendo uma pesquisa pela cidade, percebi que nossa história é linda, Mesmo não tendo o merecido respeito. Primeiramente pela nossa própria cultura ridicularizada por nosso complexo de inferioridade nortista que faz a grande maioria da cidade se tornar fã de outras culturas e novos hábitos  que eu acho repugnante.


Manaus era linda demais!


Nas fotos e vídeos vemos como a Paris dos trópicos era imponente em meio à selva, com sua vestimenta herdada do velho continente, mas com o requinte caboclo de nossos homens fortes e esbeltos e com lindas morenas de pernas grossas e quadril largo super definido.


Não é possível que nas escolas municipais e estaduais não falem disso com a verdadeira importância, mostrando apenas pequenas passagens sem grande êxtase para os alunos acostumados às aulas sem graça de professores desmotivados, sem aparato necessário para darem uma verdadeira aula sobre nossa história que é linda e muito interessante.


Os prédios imponentes da época hoje servem de abrigo para catadores de lixo e para os viciados do centro da cidade, isso quando não são demolidos pelo governo ou por algum outro órgão capitalista que destrói tudo em beneficio próprio, sem se preocupar com a nossa história destruída por mais um projeto de habitação que serve para o conforto de poucos ex-moradores dos igarapés contaminados por eles próprios e que logo mais também vão poluir todo esse trabalho de revitalização dos igarapés futuramente, como já está acontecendo.


Sem memória fica difícil projetar o futuro, adoro os gringos que vem por aqui tirar fotos da Manaus moderna, do mercadão, da escadaria dos remédios sem se importar com o tremendo fedor de lixo que entope as ruas e as calçadas, eles sim são verdadeiros turistas. Manaus precisa urgentemente resgatar sua memória, isso só depende do seu povo que precisa aprender a dar valor a sua cultura, tanto na escrita como na música, nas artes plásticas enfim, de tudo que nasce da nossa região tão imponente no cenário nacional, hoje jogada aos restos de tradições adotadas de outros estados e principalmente de outros países.